I hope they call me on a mission!

16 fev

Clicando, a imagem fica legível.

Sem rodeios: comecei a preencher o formulário online há dois domingos (07/fev). Agora depois do carnaval, devo começar os exames médicos e odontológicos. Meu namorado vai fazer tudo comigo (assim espero) e, provavelmente, partiremos no mesmo mês. Tomara que a gente não saia no mesmíssimo dia, no mesmíssimo avião e, definitivamente, tomara que a gente não se encontre NUNCA no CTM. Já pensou que estranho? “Bom dia, amor… ops! Bom dia, Élder Xavier!” e ele: “Bom dia, Síster Rodrigues”. Eu, hein! Hahahaha…

Notícia dada, agora “senta que lá vem a história”. 🙂

A verdade é que, na adolescência, eu não tinha o menor desejo de servir missão de tempo integral. Eu simplesmente nem cogitava a possibilidade. Até que, depois dos meus 21, começaram a me dizer que eu tenho aparência e jeito de missionária. Eu achava engraçado e só. Com o tempo, os comentários foram sendo substituídos por perguntas mais incisivas, do tipo “Você vai servir missão, não vai?”, “Você já serviu missão, não serviu?” ou a intrigante “Onde você serviu?” (alguns já partiam do princípio de que eu já tinha voltado! hahaha….).

Comecei a achar que ali tinha coisa. Não podia ser normal tanta gente tocar no mesmo assunto comigo praticamente com a mesma abordagem. Mas, ainda assim, eu achava que missão não era a minha. Sou muito ocupada por aqui com as minhas coisas, minha vida e meu futuro profissional/acadêmico e, além disso, sou MUITO telúrica e saudosa. Nunca conseguiria viver 18 meses longe da minha família, dos meus amigos, da minha cidade, do meu quarto, do meu mundinho. Não, não, alguém deve ter dado o telefonema errado…

Há pouco mais de dois anos, porém, eu comecei a sentir desejo de servir. Era algo forte, claro e direto que me dizia que preciso passar por experiências missionárias. Notei que ficaria feliz se ajudasse uma ou mais almas a voltar à presença do Pai Celestial, mas, mais do que isso, eu tinha que servir para mostrar gratidão a Ele e porque há algo na missão que iria me lapidar como nada mais no mundo.

Em alguns meses, eu tinha conversado com o Senhor, com minha família e com meu bispo. Comecei a fazer os exames e a comprar algumas coisas (ainda tenho uns sapatos guardados). Eu estava feliz e animada, mas, no fundo, ainda estava com medo de me ausentar do meu mundinho. “Pensa bem, Marília, são 18 meses… muito tempo para você ficar longe”. “Por que vai servir missão? Pode muito bem ficar por aqui e ser abençoada do mesmo jeito. Afinal, você é mulher”. “Eu, se fosse você, não iria não. Case e depois sirva uma missão de casal com seu marido”. Blá, blá, blá… Além dos comentários negativos que me seguiam o tempo todo, nada parecia ir bem com os exames médicos. O dentista da minha família, por exemplo, sumiu do mapa e eu não conseguia vê-lo nem quando marcava consulta (gente, era estranho mesmo!). Resultado: fiquei tão desanimada que fui me convencendo das coisas que ouvia. Eu me sentia tão sozinha que comecei a achar que eu não seguraria a onda no campo missionário.

No dia da entrevista com o presidente da estaca (seria a última), passei a tarde chorando, guardei os formulários missionários (junto com os exames, raios-x, foto e tudo mais) numa prateleira bem alta no meu quarto e simplesmente não apareci na estaca para a tal entrevista. Depois anunciei para família, bispo, presidente e curiosos: não vou mais.

O “engraçado” é que, semanas depois, houve uma conferência regional das estacas do Norte e do Nordeste do país, transmitida via satélite. A segunda discursante foi a Sister Julie B. Beck, Presidente Geral da Sociedade de Socorro. Ela praticamente mandou as moças servirem missão. Os membros (especialmente os antigos) sabem que a liderança apoia e agradece, mas não “costuma” aconselhar missão para mulheres. Uma tia minha (que serviu missão) estava sentada ao meu lado e ficava falando coisas como “isso é para você”. Não, não, como eu pensava antes, devia ser ligação errada.

Meses depois, Paulo e eu começamos a namorar. Desde sempre, eu sou a pessoa mais empolgada do mundo com a missão dele (tanto que o blog foi criado anos-luz antes de ele sequer começar a preencher os papéis :)). Um tio meu sugeriu que deveríamos partir juntos, mas eu ainda achava que missão não era a minha. Meu namorado faria isso por nós dois.

Mas, sabem? Há coisas mais fortes que nós na vida. O meu desejo de servir missão é uma delas. Desde que pensei em missão pela primeira vez para cá, vejo que só estou mais e mais ocupada. É como se eu tivesse arranjado ainda mais “motivos” para as pessoas tentarem me convencer a ficar. Primeiro: estou mais velha. Depois, estou muito mais perto de me formar, minha carreira musical vai bem-obrigada-e-ficando-melhor e, “pior”, acabo de começar outra faculdade. Estou certa de que vão pegar no meu pé. Sei também que muitas pessoas não vão acreditar em mim e dirão/pensarão coisas como “Aposto como ela vai desistir como desistiu antes…”. Mas querem saber? Não dou a mínima. É, devo ter amadurecido nesse meio tempo. 😉

Não acho MESMO que os 18 meses em campo irão atrapalhar ou atrasar nos meus objetivos seculares. Pelo contrário! Em Mateus 6, a partir do versículo 19, o Salvador Jesus Cristo ensina que o tesouro dos céus é infinitamente mais importante que o terreno e também que não devemos nos inquietar com o dia de amanhã. Tenho me inquietado muito com isso desde os meus 17 anos e, sinceramente, ainda não vi nenhum resultado. Não estou indo para a missão com o objetivo de fazer alguma troca com o Senhor do tipo “Dou 18 meses da minha vida e o Senhor me dá sucesso profissional”, mas estou certa de que, por causa do meu serviço, posso esperar ser muito bem amparada pela Divina Mão (de uma forma que nem os belos lírios do campo são). Além disso, minha bênção patriarcal é clara: durante minha vida mortal, terei tempo suficiente para realizar todas as obras necessárias.

Agora que a “historinha” foi contada, vou mantê-las informadas da preparação do Paulo e também da minha. Vocês topam? 🙂

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12 Respostas to “I hope they call me on a mission!”

  1. Alexsandra Trawick 17/02/2010 às 4:47 #

    Este post faz de mim uma pessoa ainda mais feliz!

    Fácil não é,mas se fosse nao valeria tanto a pena. Apoio,apoio e apoio,mas disso você já sabe. Sou a maior suspeita para falar sobre missão. Amei cada dia que servi,mesmo aqueles que pareciam nunca acabar. Passa rápido sim. Fato. Mas os dias são regados de suor e bolhas nos pés, que quando acabam tornam-se nossos troféis.

    Desejar sucesso e bênçaos pra ti é pleonasmo Má,faça seu melhor e não só você,mas toda sua família serão abençoados.

    Com amor e orgulho,
    Alexsandra Trawick

    • Marília Magalhães 17/02/2010 às 21:06 #

      aaaaaaaai, sandríssima primíssima!

      você sabe que você é a pessoa MAIS RESPONSÁVEL por isso, não sabe? lembra minha cara de surpresa quando ouvi você falar: “vou mandar você pra missão. é isso! você vai servir missão.”? 🙂 a gente estava saindo da sessão da sociedade de socorro da conferência geral e você ia fazendo todos os planos (“vamos estudar juntas o preach my gospel”, “vou contar pro meu presidente de missão que vou mandar você pra lá”, “você pode até levar sua flauta”, “nooossa, vai ser chique demais!”). escrevendo isso, consigo ouvir sua voz de novo, sabia? 😀

      enquanto eu escrevia o finzinho do post, pensava especialmente em você e no davinho. ele me disse, certa vez, que todas as bênçãos que ele tem na vida vieram em decorrência da missão. você nem precisa dizer o mesmo: é notório e inegável que o mesmo acontece(u) na sua vida.

      quanto às bolhas no pés, ainda estou pensando em reinvindicar em prol dos “belos pés daqueles que anunciam o evangelho”. 🙂 just kidding.

      amo muito você, prima. 😀

  2. Simone 19/02/2010 às 0:18 #

    ai, amiga, eu tô tão emocionada. O mais engraçado é que eu nem te conheço pessoalmente e já estou com saudades de você. Espero que você venha para SP. Eu queria dizer alguma coisa bonita, sabe, mas eu só vou dizer que eu grata e feliz por ter sua amizade e amo você! Ai, é tudo tão lindo que quero chorar de emoção. Beijos!

    • Marília Magalhães 22/02/2010 às 22:23 #

      Si do céu, você quer me fazer chorar, é? Não se preocupe, “you don’t have to speak – I feel” (Björk em Jóga). E isso porque eu sinto o mesmo: amor por você e gratidão e felicidade por ser sua amiga. Uma honra para mim, acredite. Sou sua fã em tudo, tudinho. Vou dar muitos abraços em você quando estiver servindo numa área perto de você (ou se o presidente resolver colocar sísteres aí). 😉

      Beijos, muitos deles.

  3. Lala 19/02/2010 às 16:02 #

    Ouhn parabens pela sua decisão!
    Estou torcendo pelo seu sucesso….você é uma menina de ouro!

    s2

  4. Jaque 20/02/2010 às 16:58 #

    Ah que tmb desejo que vc venha servir missão Sampa ( leste) !
    Nossa Mah que bom que vc escolheu mesmo vc será uma otima
    Sister, é preparada é espiritual e é especial demais!

    Parabééééns Mah tdbom!

    • Marília Magalhães 22/02/2010 às 22:14 #

      Jaque, honey, você nem sabe como eu gostaria de ser várias Marílias e servir em várias missões diferentes. Hahaha… Conheço gente de todo o Brasil e eu sempre fico feliz com um “Desejo que você venha servir missão aqui”. Eu sei que é muita vaidade minha, mas, com licença, que eu tenho amigos? Hahahaha! 🙂

      Meu grande palpite sempre foi que eu servirei em alguma missão de São Paulo. Alguns amigos meus por aqui acham que eu vou servir fora do Brasil e, por mim, vou para qualquer lugar do planeta, com exceção de dois. Não vou dizer quais para não ferir os sentimentos de ninguém e, confesso, para escapar de uma praga comum entre missionários: você vai para onde NÃO queria ir! Hahaha. Mas, assumo, além do estado de SP, eu serviria feliz da vida a Missão RJ, que foi a missão da minha tia. De qualquer forma, vou aprender a amar qualquer missão para onde eu for designada. Isso é certo. 🙂

      Jaque, obrigada por suas palavras, viu?

      Um beijãããão!

  5. Eduarda 20/02/2010 às 21:24 #

    Aêêêê! 😀

    Até que enfim é uma decisão certa você ir pra missão.
    Quando você me falou pela primeira vez sobre o assunto… Já fiquei imaginando você pelas ruas de algum lugar com uma companheira.
    Ahh. Tô feliz Mah! (:
    Sério.
    Preciso ver você antes que vá.
    Falando nisso… Faz tanto tempo que não a vejo. :/
    Adoraria ser uma das suas amigas próximas…

    Quero acompanhar a sua preparação pra ir pra missão de pertinho.
    Feliz! Que bom que decidiu mesmo.
    Ah, e você fala tão bem, que me deu até vontade de servir em uma missão de tempo integral. Mas quem sabe… 😉

    Você é importante. ♥
    Beijo.

    • Marília Magalhães 22/02/2010 às 22:05 #

      Como assim, Duda, “até que enfim uma decisão certa”? Hahahahaha… (Brincadeira minha. Entendi o que você quis dizer. ;))

      Pois é, menina, eu super me imagino com uma companheira do lado, uma plaqueta na blusa, uns sapatos bem sujos nos pés e uma bolsa cheia de Livro de Mórmon nas costas… 😉 Ai, tomara que chegue logo! 😀

      A gente vai se encontrar antes disso sim, nem que seja no meu bota-fora. Aliás, foi em um que eu conheci você, né? De quem terá sido…? ^^ E, olha, nós duas só não somos próximas mesmo porque moramos longe e eu mal tenho entrado no MSN. Mas eu adoro você! E pode deixar, que você será bem informada sobre meus passos rumo ao campo missionário, viu? 🙂

      Posso falar a verdade? SEMPRE imaginei uma companheira ao seu lado, Sister. 🙂

      Beijão! ♥

  6. Lívia 25/02/2010 às 0:12 #

    De Sister Moreira para Sister Rodrigues… =]
    É colírio para os meus olhos ler tudo isso aqui! Lembro do dia em q ensinamos a segunda lição em uma noite familiar na sua casa, naquele dia eu pensei…”sim, sim…eu qro fazer isso por 18 meses”…agora cá estamos nós felizes demais por nossa decissão! Vc foi parte essencial pra isso acontecer na minha vida, e eu sabia q um dia escreveria isso- “vamos envelhecer, sentar um dia pra conversar e rir muito de nossas experiências missionárias”. Acho que sue trabalho missionário começou aqui comigo! E não falei isso antes, mas fiquei muito feliz qndo vc disse q vc era um dos motivos pelo qual eu voltei, se fosse pra voltar de novo eu voltava…te amo!

    • Marília Magalhães 25/02/2010 às 16:51 #

      Sister Moreira, minha companheira eterna, você foi e voltou para me buscar. Era para termos ido juntas para o CTM. Não sei se você se adiantou ou se eu me atrasei. O fato é que você, leal que é, voltou para me buscar. 😉 Agora, você volta para sua missão, com seu joelho novinho em folha. Vou com você. 🙂

      Beijos de “amo muito você”! 😀

      Sister Rodrigues

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